<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798</id><updated>2012-01-07T06:13:51.620-02:00</updated><title type='text'>No calabouço</title><subtitle type='html'>"O ato de escrever cresce com a necessidade de viver"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-2643039022406911078</id><published>2011-01-01T21:54:00.020-02:00</published><updated>2011-01-01T23:34:24.120-02:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Não sei por onde começar. O que afinal era o longo inferno? Por que deixei a situação chegar naquele ponto? Com o tempo percebi que foi uma escolha, uma responsabilidade que impus a mim mesmo, embora não fosse da minha alçada. Fui convencido por meu ego que estava acima dele, vocês sabem de quem eu falo, que precisava cuidar dele quando na verdade nunca cuidei de mim mesmo, talvez para negar que estava na mesma situação. Mas com o tempo foram surgindo sentimentos, desejos, e algumas pessoas começaram a ter mais valor para mim, enquanto ele seguia seu destino de herói incorruptível, um verdadeiro Cavaleiro Branco. Já eu era um Cavaleiro das Trevas, dando mais importância aos outros do que a mim mesmo, e seguindo o mesmo destino dele nesse processo, ainda que no fundo não fosse o meu destino, porque não era o que eu queria, mas o que eu achava que precisava fazer. Assim fiquei com ele até o fim, como não poderia deixar de ser, porque eu aguentava as trevas. Por ele eu neguei a mim mesmo e faria tudo outra vez. Mas o que fazer agora que estava livre? Como seguir vivendo com esse peso na consciência que é o simples fardo de estar vivo e ele não? Mas era esse o destino dele, e mesmo que eu tenha me entregado a esse mesmo destino, ele nunca me pediu para fazer isso. Eu sempre estive livre. Por mais terrível que seja dizer isso, me pergunto se ele não partiu tão cedo para me libertar, como seu último ato heróico. Sei que mais uma vez esse é o meu ego falando, minha necessidade infantil de fazer drama e romantizar as coisas, assim como a idéia tola de que falhei ao deixar ele partir, que decepcionei a todos ao não poder fazer nada. Mas certas coisas são difíceis de serem deixadas para trás. Não mais. Que o viking parta em seu barco e nunca mais precise voltar, que o vampiro encontre paz na luz do dia, que o Lenhador se case com uma bela mulher na aldeia e tenha muitos filhos, que o Lobo Mau corra de volta para sua toca e deixe Chapéuzinho Vermelho em paz, e principalmente que ela cresça e veja que o garotinho assustado está virando homem. Alguém muito mais forte que qualquer figura do meu subconsciente. Ele está livre. O verão chegou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-2643039022406911078?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/2643039022406911078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=2643039022406911078&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/2643039022406911078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/2643039022406911078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2011/01/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-358151109620712997</id><published>2010-12-27T16:56:00.013-02:00</published><updated>2010-12-27T17:57:06.775-02:00</updated><title type='text'>O longo inverno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não sei bem ao certo a razão disso, mas sinto que o longo inverno está acabando. Assim que descobri o vazio, que nada mais era do que ter adquirido a noção do quanto bancar o herói havia me custado; nada menos que a minha própria humanidade. Não que não tivesse ela dentro de mim, só não sabia mais como me expressar honestamente. Eu era apenas o que esperavam de mim, o que eu esperava de mim, mas no fundo não passava de uma casca vazia. Eu era a fortaleza onde os outros buscavam abrigo e inspiração. Porém, lá estava eu preso no calabouço, amordaçado e quebrado. E quando enfim escapei do calabouço eu era algo mais do que um ser humano, era dono de uma força de vontade indomável, mas ao mesmo tempo algo menos, como se o próprio sol e tudo considerado normal me queimasse. Então descobri que por mais que ardesse por dentro, querendo tudo que nunca tive de uma só vez, meu corpo e mente estavam exaustos. Tinha que aprender a ser humano, algo que ninguém deveria precisar fazer, e além disso precisava saber ficar em pé por conta própria, sem ao menos poder contar com a ajuda do meu corpo para tanto. Agora todo dia eu sento no meu trono como o rei das minhas terras e observo os últimos dias do meu longo inverno passarem um a um, perseverando diante de cada novo obstáculo que aparece no meu caminho, pois o verão um dia irá chegar e nesse dia vou me erguer, senhor de mim mesmo. Só preciso suportar o longo inverno e torcer para estar pronto quando a hora chegar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-358151109620712997?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/358151109620712997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=358151109620712997&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/358151109620712997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/358151109620712997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/um-longo-inverno.html' title='O longo inverno'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-4321338416076144892</id><published>2010-12-25T01:36:00.044-02:00</published><updated>2010-12-25T15:36:09.240-02:00</updated><title type='text'>Revolução</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A data é de festas, mas apesar de tudo, dos amigos, da família, da boa comida, sinto que não tenho muitos motivos para festejar. Se houve o barulho de fogos eu não escutei, lembro apenas do temporal que inundou as ruas e dos relâmpagos que iluminaram os céus, tal qual a revolução que tomou conta de mim nesses últimos dias. Porém, essa permanece dentro de mim sem afetar ninguém, porque prefiro me afastar quando o sorriso no meu rosto começa a soar falso demais. Na tentativa de parecer mais verdadeiro me encho de fogo líquido e dou risadas sem nem saber o porquê, então esqueço por um breve momento a frieza daquele par de olhos escuros como lascas de obsidiana, a voz que me pede para segurar o rojão, simplesmente porque eu aguento. Me pergunto se tudo isso é visível aos olhos dos demais ou se fui a fortaleza por tanto tempo que me tornei uma rocha, indecifrável ao escrutínio alheio, ainda que em meu interior a revolução borbulhe como nunca fez antes. Não sei se o que eu quero é atenção, ser deixado em paz, ou até mesmo mandar todos para aquele lugar, mas antes de me decidir o viking aparece e toma conta de mim, porque ele aguenta. Ele me diz para engolir o que quer que esteja entalado na minha garganta e assumir o papel de fortaleza, não somente por mim e pela minha reputação, mas também pelos outros, porque eu aguento. Me pergunto se isso é realmente necessário e o quanto ser assim me custa, porque quero romper a rocha, quero me libertar e curtir a vida como qualquer outro. Outra vez obedeço suas ordens, embora eu perca seu respeito toda vez que faço isso, afinal, vikings fazem o que bem entendem sem se sujeitar a ninguém. Eu já sei que posso ser uma fortaleza quando é necessário, seja pelos outros ou por mim, mas eu quero ser um viking melhor do que sou agora. Porque um viking não tem planos, regras ou valores, ele é um conquistador, um senhor de terras e riquezas. Eu, por outro lado, ainda sou um vassalo. Não mais. Dou por encerrada a servidão, renego a abnegação cristã, renego esse que foi meu último Natal. Não é a solução, mas é bom um começo, né?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-4321338416076144892?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/4321338416076144892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=4321338416076144892&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/4321338416076144892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/4321338416076144892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/revolucao.html' title='Revolução'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7965652934339314417</id><published>2010-12-17T22:43:00.004-02:00</published><updated>2010-12-18T15:48:52.940-02:00</updated><title type='text'>Votos da Patrulha da Noite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Escutem as minhas palavras e testemunhem os meus votos. A noite chega, e agora começa minha vigília. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra dos Tronos - George R. R. Martin&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7965652934339314417?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7965652934339314417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7965652934339314417&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7965652934339314417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7965652934339314417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/votos-da-patrulha-da-noite.html' title='Votos da Patrulha da Noite'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7156991514596462132</id><published>2010-12-17T00:31:00.009-02:00</published><updated>2010-12-17T01:11:54.692-02:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toda vez que eu deito sozinho no meu quarto que mais parece uma prisão o vazio toma conta de mim, e quando isso acontece eu consigo ouvir o silêncio, que nada mais é que minha própria solidão. Então permaneço deitado, sentindo absolutamente nada. O vampiro se apodera de mim toda noite, mas ele não ataca durante a noite, e sim quando eu acordo no outro dia. Ele está desesperado por contato humano, independente da limitação desse contato, então ele suga a vida de quem enxerga pela frente, tentando preencher seu silêncio. Mas a pessoa absorvida não sai ferida, de fato ela sequer enfraquece; muito pelo contrário, ela sai fortalecida. Porque o vazio do vampiro é um espelho para elas, onde podem enxergar suas almas, o que causa atração e ao mesmo tempo distanciamento, afinal toda pessoa tanto se ama quanto se odeia. Mas por um breve momento o silêncio do vampiro é preenchido por vida, não pela sua, porém ainda é uma alternativa melhor do que o vazio. Então chega a noite e com ela o silêncio, e por um breve momento antes do vampiro tomar conta de mim mais uma vez, quando sinto aquela vida que não é minha abandonar meu corpo, fico apavorado ao descobrir que estou morto por dentro. Algo se partiu lá atrás, não lembro bem quando, algo que não tenho como recuperar. O vampiro fez essa vítima, ele matou alguém sem que eu sequer percebesse, então o silêncio toma conta de mim quando descubro que esse alguém sou eu. Toda noite ele faz de mim sua vítima, e durante o dia ele apenas se fortalece, dando minha vida em troca da vida dos outros, tudo premeditado para tirar outro pedaço de mim quando a noite chega; outro pedaço de sua única vítima. Agora estou tomado pelo vazio e completamente apavorado. Estou morto por dentro. Deus me ajude, estou morto por dentro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7156991514596462132?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7156991514596462132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7156991514596462132&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7156991514596462132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7156991514596462132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/silencio.html' title='Silêncio'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7872821904496010662</id><published>2010-12-04T19:03:00.013-02:00</published><updated>2010-12-05T13:38:45.093-02:00</updated><title type='text'>Paradoxo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Antes já falei sobre as fiandeiras do destino da mitologia nórdica, em como elas determinam a vida dos homens, mas outro conceito presente na cultura viking é o de que os homens criam seu próprio destino. O que leva a um paradoxo, afinal, se tudo é determinado pelo destino, como podem os homens ter papel nisso? Convenhamos, no final das contas é tudo uma desculpa para fazer o que se bem entende, sem ligar para as consequências, porque usando a justificativa do destino os homens não precisam responder por nada. Ainda assim, vamos tentar entender a lógica disso, ok? Quem sabe simplesmente seja um modo de explicar aquelas pequenas coisinhas inexplicáveis da vida, as coincidências e ironias que não consigamos decifrar, embora nos tirem o sono durante o noite. Não gosto dessa explicação e vou dizer o motivo: é a explicação dos conformados, de quem tenta interpretar o destino, de quem se questiona diante da adversidade, buscando meios de ignorar ela. A possibilidade que mais me agrada é que o modo viking de ser consiste em desafiar o próprio destino, não deixando nenhuma situação ou pessoa moldar ele, sendo essa a única maneira de atingir esse destino. De que modo um guerreiro poderia conhecer o Valhalla não fosse o desejo de conquistar coisas extraodinárias? Ou seja, é possível lutar contra o destino, mas no fundo não tem como vencer dele, afinal, o único modo de atingir ele é lutando. E um viking não aceitaria viver de outro modo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7872821904496010662?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7872821904496010662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7872821904496010662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7872821904496010662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7872821904496010662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/paradoxo.html' title='Paradoxo'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-904881578452107694</id><published>2010-12-02T13:32:00.039-02:00</published><updated>2010-12-02T15:35:38.095-02:00</updated><title type='text'>O chamado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como se procura por alguma coisa já tendo encontrado ela? Me sinto assim muitas vezes. E o pior é que quanto mais procuro outra coisa mais forte se torna o que sinto, um rosto que me segue para todo lugar onde eu vou, acompanhado por um sentimento difícil de explicar. Na mitologia nórdica dizem que cada vida é um fio oriundo de Yggdrasill, a Árvore da Vida, depois esses fios são tecidos pelas Nornas, fiandeiras que controlam o destino dos homens. Muitas vezes dois fios se entrelaçam, seja por artimanha ou destino, e quando isso acontece o fio se torna um só, o caminho de duas pessoas se cruza, às vezes apenas por algum tempo, mas outras vezes para sempre. Agora o destino chega a mim como um chamado, pedindo para eu confiar nele, que tudo vai dar certo no final. A impressão é que esse chamado sempre esteve presente desde que os fios se aproximaram um do outro, ainda que na época eu não desse ouvidos a ele, talvez por ser cedo demais, e só o que eu sentia era uma sensação estranha de perda quando o destino começou a divergir do seu caminho. Mas e se tudo não passar de uma artimanha? Porque pode ser que os percalços sejam placas de aviso no ínicio de uma estrada perigosa por onde ninguém deveria passar. Mas como se livrar disso sem negar que o destino verdadeiro se realize? Porque pode ser que não seja uma artimanha e os percalços no caminho sejam apenas superficiais. Às vezes enxergo sinais que o chamado é verdadeiro, que não é algo exclusivo meu, e então um fogo acende dentro de mim, queimando todo obstáculo no caminho. Porque se for o caso é exatamente assim que eu agiria, afinal, conceitos místicos à parte, o chamado sou eu, minha chama interna, meu orgulho, o viking que não conhece obstáculos. Pode ser para pilhar uma cidade, roubar uma mulher, tanto faz. Por outro lado, o viking é apenas uma fantasia, porque o mundo não funciona mais assim e nem deveria. A verdade é que não tenho como saber se o chamado é unilateral como muitas vezes parece ser, mas também não descarto a possibilidade do chamado ser verdadeiro e da outra parte simplesmente não dar ouvidos a ele, como eu não o fiz por muito tempo. Mas não é do feitio dos homens interpretar o destino. Tudo o que eu posso fazer é confiar em mim, naquilo que sinto, naquilo que vejo, e que no final só os deuses sabem a resposta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-904881578452107694?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/904881578452107694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=904881578452107694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/904881578452107694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/904881578452107694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/12/o-chamado.html' title='O chamado'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7116333610625522865</id><published>2010-11-29T01:57:00.017-02:00</published><updated>2010-11-30T00:56:51.645-02:00</updated><title type='text'>Nos sonhos...</title><content type='html'>&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zbxsmcT7GOk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zbxsmcT7GOk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A candy-colored clown they call the sandman&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Um palhaço colorido que chamam de Morfeu&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Tiptoes to my room every night&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Toda noite entra devagarinho no meu quarto&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Just to sprinkle star dust and to whisper&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Só para espalhar sua areia e sussurrar&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;“Go to sleep, everything is all right”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;("Vá dormir, está tudo bem"&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I close my eyes then I drift away&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Eu fecho os olhos e me deixo levar&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Into the magic night, I softly say&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Na noite mágica, eu digo baixinho&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;A silent prayer like dreamers do&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Uma prece silenciosa como os sonhadores fazem&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Then I fall asleep to dream my dreams of you&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Então eu durmo para sonhar meus sonhos com você&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In dreams I walk with you&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Nos sonhos eu ando com você&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;In dreams I talk to you&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Nos sonhos eu falo com você&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;In dreams you’re mine all the time&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Nos sonhos você é minha o tempo todo&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;We’re together in dreams, in dreams&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Estamos juntos nos sonhos, nos sonhos&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But just before the dawn&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Mas logo antes de amanhecer&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;I awake and find you gone&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Eu acordo e vejo que se foi&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;I can’t help it, I can’t help it if I cry&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Não posso deixar, não posso deixar de chorar&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;I remember that you said goodbye&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Eu me lembro que você disse adeus&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's too bad that all these things&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(É uma pena que essas coisas&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Can only happen in my dreams&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Só possam acontecer nos meus sonhos&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Only in dreams&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Só nos meus sonhos&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;In beautiful dreams&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Lindos sonhos)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7116333610625522865?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7116333610625522865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7116333610625522865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7116333610625522865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7116333610625522865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/11/nos-sonhos.html' title='Nos sonhos...'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7011617574690721751</id><published>2010-11-28T21:41:00.005-02:00</published><updated>2010-11-28T22:09:31.942-02:00</updated><title type='text'>Fantasias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;O que fazer quando a melhor parte da sua vida é uma fantasia? E não é que seja uma fantasia distante, não mesmo, ela está seguidamente na minha frente, dentro de mim e em outra infinidade de lugares. Mas que barreira é essa que me impede de transformar essa fantasia em realidade? Ela pode não depender somente de mim, existem também barreiras fisícas, psicológicas, sentimentais, mas ela não é nada impossível, pelo menos penso que não. Talvez ela não se concretize com a perfeição que imaginei, mas não sou arrogante de não aceitar uma versão adaptada dessa fantasia, como um remake ou adaptação de um livro que acaba superando a original se a gente der a chance, pelo menos penso que não. Por outro lado, sou tão cego a ponto de imaginar coisas? Às vezes a fantasia, a perfeita, não a adaptada, parece tão próxima que chego a me sentir otimista, mesmo que não tenha motivo nenhum para me sentir assim. Ou será que tenho? Porque acho difícil acreditar que tirei algo do nada. Bom, ao menos tenho o direito de sonhar, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7011617574690721751?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7011617574690721751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7011617574690721751&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7011617574690721751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7011617574690721751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/11/fantasias.html' title='Fantasias'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-1550569912754795208</id><published>2010-11-27T12:23:00.008-02:00</published><updated>2010-11-27T12:57:08.811-02:00</updated><title type='text'>Três resoluções</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1 - Não sentir pena de mim mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era inevitável que em algum momento da minha vida eu descobrisse esse sentimento que sempre repudiei, ainda mais depois do que aconteceu. Porém, como desculpa para mim mesmo demorei para identificar que era isso o que eu sentia, afinal, realmente nunca tinha sentido antes. Mas agora que senti renego ele com todas as minhas forças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Cuidar de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por muito tempo vivi como dois, portanto não me cuidei como deveria. Agora que estou sozinho passei a cuidar mais de mim mesmo, mesmo que muitas vezes o esforço não faça jus ao resultado. Mas ainda tenho um longo caminho para ficar satisfeito comigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Viver de acordo com o que eu acredito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sempre admirei o mito em volta dos vikings, o modo como viam a vida e se comportavam perante ela. Contudo, nunca realmente vivi como um, sempre tímido demais, reprimido demais. Na verdade eu estava mais para um monge, negligenciando coisas, inclusive meus sentimentos, tudo em nome do estilo de vida que escolhi, tudo pelo bem da missão. Eu era um monge guerreiro, mas ainda assim um monge. Agora que aquela guerra terminou e outra se inicia posso ser o viking que sempre quis ser, que sempre fui segundo contam da minha infância. A partir de agora vou ser pragmático, beirando o niilismo. Vou ver, querer e ir atrás. Caso não consiga o que eu quero pelo menos vou saber que lutei até o fim e o Valhalla me aguarda. É o modo viking.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-1550569912754795208?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/1550569912754795208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=1550569912754795208&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/1550569912754795208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/1550569912754795208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/11/tres-resolucoes.html' title='Três resoluções'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-3713646986491243169</id><published>2010-11-25T17:34:00.041-02:00</published><updated>2010-11-25T20:57:30.700-02:00</updated><title type='text'>Perdido na floresta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Às vezes desce uma luz sobre mim e eu sinto como se entendesse tudo que tivesse para ser entendido, então tudo é belo, minha vida, minhas amizades, meus amores. Mas de repente tudo aquilo some e surge o medo, a desconfiança, o rancor. Eu ouço uma risada no fundo da minha mente, uma voz demente dizendo "Você não está livre ainda, garotinho assustado. Você nunca vai estar livre. Você é meu". Quem é esse estranho que mora na minha mente? Desconfio que seja o Lobo Mau, aquele que subi no palco para enfrentar quando era tão pequeno que hoje em dia sequer lembro da cena, sabendo dela por terceiros. De certa forma, foi a experiência definitiva da minha vida, aquela que tento fazer jus até hoje. Me pergunto porque o garotinho assustado não se juntou ao choro dos demais. Por que ele se sentiu obrigado a subir no palco e enfrentar o Lobo Mau? Estaria ele com medo como todos os outros? Imagino que sim. Então por que ele subiu no palco? Às vezes me pego pensando se seria por que no seu subconsciente o garotinho sabia o que teria que enfrentar mais para frente, como um soldado que não hesita entrar na linha de fogo por saber que está adiando o inevitável, e nesse caso prefere lutar nos seus próprios termos. Porque o garotinho não consegue se resignar ou fingir que está tudo bem como os outros, não por ser melhor do que eles, mas porque se não fizer isso o Lobo Mau o pegará. O que me faz pensar que talvez esse Lobo Mau também seja o garotinho, o que faria dele também o Lenhador. É a velha história do bem contra o mal, luz contra a escuridão, tudo dentro de uma única pessoa. Se por um lado o Lenhador luta para defender a inocência, representada pela Chapéuzinho Vermelho, o Lobo Mau quer destruí-la. Sua voz chega em mim agora como um rosnado, querendo destruir tudo o que tenho, minhas amizades, meu amor, minha inocência. Ele vai atrás do que eu mais valorizo, aquilo que mais machuca. Então surge o Lenhador e eu quero fugir, o garotinho cansou de lutar, ele quer paz. Ele quer desistir, alguém que cuide dele, afinal, ele é apenas um garotinho e naquela luta não há um vencedor, nunca houve. Até que surge Chapéuzinho Vermelho, toda chamativa com seu gorro rubro, um alvo ambulante para o Lobo Mau, que avança sobre ela e deixa o Lenhador lutando sozinho. Nisso o garotinho olha para os lados e não enxerga ninguém para ajudar, todos fugiram ou estão paralisados de medo, achando que estão seguros em seus casebes. Outra vez ele corre para o campo de batalha, sem saber o porquê de ter tomado essa decisão, e dessa vez o Lobo Mau corta sua pele, porque agora a luta se tornou real, o garotinho tomou consciência disso. Mas o garotinho é pequeno demais para lutar e ele grita pelo Lenhador enquanto as garras do Lobo Mau dilaceram sua pele. O garotinho protege Chapéuzinho Vermelho usando seu corpo, recebendo cada golpe que era destinado a ela, pois apesar de ser corajosa a garotinha é frágil demais para andar sozinha na floresta, algo que ninguém deveria fazer. É por ela que o garotinho voltou atrás, portanto não pode abrir ela de mão. O Lobo Mau se aproxima salivando para devorar as duas crianças aos seus pés, mas um golpe de machado corta o ar, tirando também um pedaço do monstro. Ele rosna e salta sobre o Lenhador, retomando a velha disputa. Chapéuzinho Vermelho aproveita a distração do Lobo Mau e corre de volta para a aldeia, lançando apenas um olhar ao garotinho ferido antes de atravessar o portão, como se o convidasse a vir junto. Era tudo que ele gostaria, mas se o fizesse, quem ajudaria o Lenhador a vencer aquela luta? Porque a luta era dele e ninguém lutaria em seu lugar. Mas a batalha não se desenrola mais no palco, mas na floresta, e ela é muito, muito real. Sem saber o que fazer, o garotinho senta no chão e observa a luta, se perguntando quem sairá mais ferido dessa vez, quem virá até ele caso enfim saia um vencedor daquela luta. Ou aquela batalha nunca teria um vencedor, sendo o garotinho o único possível perdedor, quando Chapéuzinho Vermelho se colocar mais uma vez no meio da disputa? Mesmo depois de todos esses anos eu ainda não sei a resposta, porque para isso eu teria que entender o que fez o garotinho subir no palco, quando só o que eu possa fazer é levantar hipóteses. Afinal, quem é o garotinho? Não só ele, mas o Lenhador e o Lobo Mau, quem são eles? Teria Chapéuzinho Vermelho a resposta? Será ela que o garotinho deveria conhecer? Chapéuzinho Vermelho quer conhecer ele? Mas então a luta daquele dia termina, outra trégua foi aceita por ambas as partes. O Lenhador segue seu caminho para a aldeia, olhando o garotinho com pena quando passa por ele. Por sua vez, o Lobo Mau tem um sorriso no rosto lupino quando toma o caminho de sua toca, mas faz questão de parar diante do garotinho assustado. Ele diz sua frase: "Você não está livre ainda, garotinho assustado. Você nunca vai estar livre. Você é meu". Mas ele acrescenta algo: "Você sou eu". Então desaparece entre as árvores. Mais uma vez o garotinho está sozinho na floresta, perdido, sem saber o caminho de casa. A aldeia é inalcançável, com seus altos muros de madeira, e a toca de um lobo não é lugar para um garotinho. Mesmo assim ele fica em pé e tenta achar seu caminho, se embrenhando cada vez mais na floresta, mas não irá demorar para o Lobo Mau seguir seu rastro, com o Lenhador em seu encalço. Ou talvez ele encontre Chapéuzinho Vermelho na floresta como fez tantas outras vezes. Começa tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lobo Mau pisa no palco outra vez e não há nenhum Lenhador. O garotinho sobe no palco. E rolam as cortinas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-3713646986491243169?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/3713646986491243169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=3713646986491243169&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/3713646986491243169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/3713646986491243169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/11/perdido-na-floresta.html' title='Perdido na floresta'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-821279279560583292</id><published>2010-11-04T14:59:00.002-02:00</published><updated>2010-11-27T12:58:01.431-02:00</updated><title type='text'>O Servo e o Guerreiro Pt. 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A única coisa viva no salão grande e mal iluminado era o guerreiro sentado no trono. Ele estava praticamente atirado sobre o trono, de pernas cruzadas e com uma das mãos pendendo para fora do apoio de braço ricamente trabalhado em madeira, enquanto a outra suportava o enorme peso de sua cabeça, toda feita de cabelos e barba igualmente desgrenhados. A mão boa segurava um grande chifre cheio de cerveja e a cada respiração do homem o conteúdo abundante do copo improvisado molhava mais o piso de terra. Chovia lá fora e o teto de palha pouco impedia que os pingos entrassem, se misturando com a cerveja que era absorvida pela areia. O guerreiro olhava ao redor para o que sobrara de sua vida arruinada, pensando nos amigos e irmãos que perdeu na grande guerra, mas principalmente no rosto que tantas vezes lhe deu forças para continuar lutando.&lt;br /&gt;De repente um grande trovão despertou o guerreiro de seu estupor e a lembrança do choque da parede de escudos causou um estremecimento em seu corpo. O chifre caiu no chão e se partiu em dois.&lt;br /&gt;O som do chifre se partindo foi o suficiente para atrair a atenção do principal servo da casa, que esperava as ordens de seu senhor do lado de fora do salão. Ralla era seu nome e ele entrou no salão escuro procurando avidamente por seu mestre.&lt;br /&gt;- Senhor? – perguntou ele em tom hesitante, sem conseguir enxergar direito.&lt;br /&gt;O guerreiro não respondeu imediatamente. Quando finalmente se manifestou foi na forma de um grunhido rude, como um urso faria ao ser incomodado. Então o enorme homem se levantou com algum esforço, apoiando todo seu peso na perna esquerda, a única que ainda prestava. Os olhos do servo se estreitaram quando ele achou ter visto algo parecido com um ser humano na escuridão.&lt;br /&gt;- Está tudo bem, Ralla – respondeu o guerreiro com o tom de voz mais delicado que conseguiu pronunciar, mas que ainda soava como o resmungo de um animal ferido. Ele se aproximou lentamente do servo, arrastando a perna direita, e simulou o que deveria ser um sorriso quando foi iluminado pela luz que entrava pelo vão da porta. – Mas não disse que não queria ser incomodado?&lt;br /&gt;O servo se assustou diante da visão horrenda daquele homem destroçado e deu alguns passos para trás, batendo com as costas em uma das muitas vigas que davam suporte ao teto. Ele já tinha visto seu senhor algumas vezes desde que ele voltara, mas não deixava de se surpreender com o pouco que havia sobrado do rapaz brincalhão e cheio de vida que um dia conheceu.&lt;br /&gt;- Não precisa se assustar – disse o guerreiro, virando as costas para o velho amigo que agora era nada mais do que um criado. Ele fingiu estar avaliando o salão, mas mantinha todo sua atenção no servo – Já não me teve como irmão certa vez, meu caro Ralla?&lt;br /&gt;Depois de dar tempo suficiente para o homem recuperar sua postura, o guerreiro se virou outra vez para ele, ainda exibindo aquele sorriso medonho no rosto. E embora ainda houvesse uma certa ternura e diversão naquele olhar, os tempos eram simplesmente difíceis demais para alguém se dar ao trabalho de notar.&lt;br /&gt;Ralla se manteve quieto, sem arriscar palpites quanto ao humor de seu mestre. Ele apenas concordou com a cabeça.&lt;br /&gt;O guerreiro suspirou antes de continuar.&lt;br /&gt;- Então por que olha para mim como se eu fosse algo desumano?&lt;br /&gt;Ele fez aquela pergunta com uma naturalidade que deixou Ralla inquieto. Mas a verdade é que o velho guerreiro diante dele realmente parecia mais animal do que homem, muito provavelmente porque fazia anos que não se olhava em um espelho, e o sorriso tornava tudo cem vezes pior. Ainda assim Ralla virou a cabeça de lado ao ouvir aquela pergunta e estava visivelmente envergonhado.&lt;br /&gt;- Perdão, senhor – disse o criado, encarando o guerreiro nos olhos mais uma vez. – São os homens, senhor. Eles estão nervosos. O inimigo se aproxima cada vez mais. – ele hesitou um pouco antes de continuar. – E posso falar francamente?&lt;br /&gt;O guerreiro fez um sinal distraído com a mão para ele continuar e se debruçou sobre a viga mais próxima, testando sua firmeza.&lt;br /&gt;Ralla engoliu em seco antes de prosseguir.&lt;br /&gt;- Eles têm medo do senhor, senhor.&lt;br /&gt;Isso fez o guerreiro soltar a trave e olhar com incredulidade para Ralla.&lt;br /&gt;- Medo de mim! – exclamou ele, afetando a voz com toda a inocência que pôde fingir, e o rosto escondido pelo emaranhado de cabelos contribuía e muito para acobertar a simplicidade do que realmente sentia, que era nada mais do que puro divertimento. – Mas por que motivo? Por acaso não voltei tão bonito quanto da última vez tirando um ou outro arranhão insignificante? E se não for o caso, certamente voltei mais rico!&lt;br /&gt;O final da frase já foi um grito para todos os criados ouvirem, e o guerreiro correu para a porta a fim de ser ainda mais enfático, erguendo a voz o mais alto possível.&lt;br /&gt;- Então voltem a trabalhar, seus preguiçosos! E não quero saber de cara feia além da minha!&lt;br /&gt;A gritaria deu resultado e os servos e soldados que ainda vagavam pela propriedade apressaram o passo, se juntando aos outros que buscavam abrigo na fortaleza natural das montanhas. Ralla assentiu com a cabeça e também começou a se afastar, mas quase caiu sobre as próprias pernas quando uma mão mutilada pousou pesada em seu ombro, e tamanha era a força do engate que ele não tinha certeza se conseguiria escapar caso tivesse essa intenção.&lt;br /&gt;- Você fica – disse o guerreiro, sério. – Temos um assunto a tratar, eu e você.&lt;br /&gt;E então retornou vagarosamente para a escuridão do salão.&lt;br /&gt;- Meu senhor?&lt;br /&gt;Ralla hesitou um pouco. Como não tinha sido convidado a entrar não queria testar mais uma vez a paciência de seu senhor, aquele ser tão estranho que voltou no lugar do homem que um dia considerou como um irmão. Por vezes o servo se perguntava se não era um impostor. Muitas vezes, após uma longa guerra, um guerreiro tomava o lugar de outro soldado falecido mais bem sucedido e retornava às terras do morto para se aproveitar de sua fortuna, pilhando o local e depois seguindo seu caminho. E por Odin, como fora longa essa guerra!&lt;br /&gt;- Eu sei o que você está pensando – interrompeu o guerreiro com sua voz rouca vindo de algum lugar na escuridão. – E admito que até faz sentido. – ele fez outra pausa antes de continuar, mordendo e engolindo alguma coisa nesse intervalo – Mas pense comigo, Ralla: que tipo de idiota se daria ao trabalho de roubar uma pocilga dessas?&lt;br /&gt;O guerreiro riu de sua própria afirmação, embora não tenha achado graça nenhuma. Então continuou cheio de veneno na voz:&lt;br /&gt;- Sinceramente, a primeira coisa que eu pensei quando vi o estado desse lugar foi virar as costas e pegar o primeiro navio de volta ao continente. Como as coisas foram acabar assim, Ralla? Por acaso todo o ouro e toda a prata que mandei não foram o suficiente para fazer desse lugar mais do que um chiqueiro? Ou o velho investiu tudo em prostitutas e bebida?&lt;br /&gt;Ralla não conseguiu manter a frieza diante dessas calúnias e deu um passo para frente, quase adentrando na escuridão junto com o velho guerreiro.&lt;br /&gt;- O senhor não sabe como foi difícil para o seu pai durante a guerra, senhor – começou ele, fazendo toda a força que tinha para medir as palavras. Afinal, não podia faltar com respeito para com seu senhor, independente de concordar ou não com suas palavras. Pelo menos ele fora ensinado dessa maneira. – O rei quase dobrou os impostos para financiar a campanha no exterior, e por mais que tenham sido os tributos enviados pelo senhor e seus irmãos falecidos que botaram comida em nossas mesas e nos deram abrigo, não vou tolerar que o senhor fale assim de seu pai. Porque eu sei que o senhor não pode estar falando sério. Não se de fato o senhor for o mesmo homem que conheci tantos anos atrás.&lt;br /&gt;Silêncio. A todo instante o servo esperava ver um machado arremessado em sua direção ou descendo contra seu crânio, mas nada aconteceu. Ele só podia ouvir a respiração pesada de seu senhor.&lt;br /&gt;- Eu preciso de duas coisas, Ralla – disse o guerreiro de repente.&lt;br /&gt;Ele se aproximou um pouco mais da luz e deixou a claridade iluminar quase todo seu corpo com a exceção do rosto.&lt;br /&gt;- É só pedir, meu senhor.&lt;br /&gt;- Primeiro, gostaria de um espelho, se é que vocês têm qualquer noção de civilidade nesse lugar medonho.&lt;br /&gt;- Um espelho, senhor? – indagou Ralla, confuso com esse desejo de seu senhor. Era certamente a última coisa que ele imaginava ouvir.&lt;br /&gt;- Sim. Um espelho.&lt;br /&gt;O servo assentiu com a cabeça e correu para a casa principal. Lá ele pegou o pequeno espelho pendurado na parede do lado oposto da porta, aproveitando para apanhar os atiçadores de chama da forjaria no caminho, depois correu de volta ao grande salão com o passo apertado. Ralla estacou do lado de fora à espera de ordens.&lt;br /&gt;Mas a primeira coisa que recebeu foi o resto de um talo de maça que voou através da porta. Então o guerreiro deu uma tossida monstruosa de algum lugar do salão e na sequência escarrou, adicionando o próprio muco a já bem regada areia do piso.&lt;br /&gt;- Coloque o espelho sobre a mesa – ordenou calmamente.&lt;br /&gt;Sem hesitar, Ralla entrou tateando na escuridão do salão, se guiando pelas vigas.&lt;br /&gt;- Pode acender o fogo se achar melhor.&lt;br /&gt;- Obrigado, senhor.&lt;br /&gt;O servo ficou grato com a boa vontade de seu senhor e acendeu o fogo com entusiasmo. E quando as chamas já estavam suficientemente altas Ralla se virou para admirar o velho salão iluminado, algo que não acontecia desde a morte do antigo senhor, o homem que tinha como pai. Porém, essa boa lembrança desapareceu imediatamente quando seu senhor atual surgiu de trás de uma viga como uma aparição maligna, vestindo nada mais do que um calção, e a visão daquela coisa repleta de cicatrizes e deformidades fez Ralla perder o fôlego.&lt;br /&gt;Seu mestre era praticamente Loki encarnado.&lt;br /&gt;No primeiro momento o guerreiro não percebeu o olhar do servo, mas de repente estacou como se tivesse tomado conhecimento que estava sendo avaliado, então se empertigou todo para receber seu julgamento. O momento durou apenas alguns instantes, o suficiente para Ralla mudar um pouco a visão que tinha daquele homem, embora ainda não soubesse definir muito bem o que estava sentido. Agora o guerreiro mancava ligeiramente ao invés de arrastar o pé com dificuldade e foi dessa forma, dando passos precisos e orgulhosos, que ele alcançou a mesa e pegou o espelho com a mão boa.&lt;br /&gt;Primeiro deu uma boa olhada no rosto, onde tateou com a ponta dos dedos a cicatriz que começava na testa, atravessava o olho cego e terminava quase na ponta do queixo. Quando viu o suficiente da ruína que abatera seu rosto, tentou enxergar as costas e outras partes do corpo que não conseguia ver seguidamente. Ralla percebeu a dificuldade de seu senhor e se adiantou.&lt;br /&gt;- Deixe eu lhe ajudar, senhor.&lt;br /&gt;O guerreiro olhou atônito para o criado e lhe ofereceu o espelho depois de uma certa hesitação. Ralla também hesitou por alguns instantes, mas raciocinou tão rápido quanto seu senhor e pegou o espelho, se posicionando atrás dele para que ele pudesse enxergar as costas. Os dois ficaram assim por alguns minutos e se surpreendiam e ficavam chocados a cada cicatriz e deformidade descoberta. Não apenas nas costas, mas nos braços, pernas e todo lugar que se possa imaginar.&lt;br /&gt;No final o guerreiro pegou o espelho para si outra vez e deu uma última olhada no rosto. Ele o fez em silêncio e com uma expressão indiferente no primeiro momento, mas então fez algo que Ralla jamais imaginaria e muito menos compreendia, pelo menos não naquela hora: o velho guerreiro sorriu.&lt;br /&gt;- Todas essas pancadas, arranhões, cortes e perfurações – começou ele ainda com aquele estranho sorriso no rosto. –, e eu ainda sou mais bonito do que você, Ralla.&lt;br /&gt;E com isso ele devolveu o espelho à mesa e se virou sorridente para o homem que tinha como irmão. Ralla foi pego de surpresa sorrindo de volta.&lt;br /&gt;- Isso significa que você não tem medo mais medo de mim? – perguntou o guerreiro, achando graça.&lt;br /&gt;- Eu nunca tive, senhor. É que o senhor sempre foi feio, só fiquei mal acostumado durante sua ausência.&lt;br /&gt;O guerreiro riu alto disso.&lt;br /&gt;- Você perdeu o juízo, Ralla? Era sempre eu que precisava lhe arranjar mulheres. E por muitas vezes tive de pagar as pobres moças.&lt;br /&gt;Dessa vez os dois que riram alto.&lt;br /&gt;E foi aí que Ralla finalmente se deu conta que estava diante de um homem extraordinário. O simples esforço de permanecer em pé naquelas condições já deveria ser imenso, quanto mais lutar até a última batalha como ele fizera, quando muitos outros já haviam retornado sem terem sofrido um único arranhão. E a força de caráter para manter o bom humor, o orgulho e a sagacidade era simplesmente admirável, ainda mais depois de perder todos que amava e retornar para uma terra arrasada. O servo sentiu os olhos arderem e se afastou fungando quando as primeiras lágrimas brotaram.&lt;br /&gt;O guerreiro não deu nenhum sinal de ter visto o descontrole de Ralla e se viu nada disse. Ele apenas retomou seus afazeres e vestiu a túnica e as botas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-821279279560583292?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/821279279560583292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=821279279560583292&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/821279279560583292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/821279279560583292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/11/o-servo-e-o-guerreiro-pt-1.html' title='O Servo e o Guerreiro Pt. 1'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-1938575578509180426</id><published>2010-10-27T20:37:00.002-02:00</published><updated>2010-10-27T20:44:56.474-02:00</updated><title type='text'>Lobisomem Nick</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou tentar voltar a atualizar o blog, que vinha parado há dois anos, mas agora o foco será apenas nos contos e similares. E para começar fiquem com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;background&lt;/span&gt; do primeiro lobisomem que criei para o jogo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lobisomem: O Apocalipse&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu não sou um sujeito perfeito. Longe disso. E aqui vai o porquê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é Nicolas Volkmann e nasci em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, filho de papai e mamãe, mas nunca me senti realmente em casa aqui e recentemente descobri o motivo disso. Mas não vamos nos apressar, certo? Por enquanto, fiquemos no clichê. Meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai Jorge é um advogado podre de rico com ambições políticas (se é que ainda falta alguma depois de tanto que eu aprontei) e mamãe Anna é uma médica de renome (se é que ainda tem algum pelo mesmo motivo). Como não poderia deixar de ser, os dois me odeiam, claro. Não que eu os culpe, mas por algum motivo nunca reconheci os dois como família e meus recorrentes pesadelos e ataques de fúria na infância destruíram qualquer relação que pudéssemos ter. O que veio de lá para cá foi apenas a pá de cal. Minha única relação familiar de fato se deu com o tio Igor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho morava no apartamento da frente no nosso condomínio de luxo e sempre me defendia quando eu aprontava. E mesmo sabendo que a preocupação e a raiva dos meus pais eram justas considerando que eles não podiam entender minha natureza, foi difícil deixar de simpatizar com o velho. Quando nos visitava naquela época ficava sempre me vigiando pelo canto do olho e desviava o olhar quando eu olhava de volta, como se eu fosse um ídolo do qual ele não fosse digno de admirar. Por algum motivo ele gostava de me chamar de Nikolai ou Niko, alegando que era meu nome verdadeiro, mas só revelaria o porquê muitos anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo fim de semana visitávamos sua fazenda no interior e lá eu me sentia tão mais tranquilo que depois de certo tempo meus pais simplesmente me despachavam sob os cuidados do velho e voltavam para o aspecto de suas vidas que fazia sentido, loucos para se verem livres de mim. Eu tinha 11 anos quando passei o primeiro fim de semana com o tio Igor e não demorou muito tempo até o velho me tratar como gente ao invés de um objeto que o Indiana Jones adoraria afanar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo nos tornamos muito unidos e nosso passatempo predileto era ir para o meio do mato e brincar de pique-esconde ou encontrar objetos escondidos pelo outro. Na época eu era muito pequeno para entender, mas agora vejo que ele estava me testando. Treinando-me, na verdade. Não que eu me ressinta disso, Gaia sabe que não, até porque eu sempre saía vencedor de nossos pequenos duelos, e no começo cheguei a pensar que ele facilitava para mim, mas não era o caso porque no final de tudo o velho exibia uma expressão de derrota genuína demais para ser fingida. E ainda assim ele olhava para mim cheio de um orgulho que era de partir o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, olhando para trás, acho que o velho via em mim o potencial para ser tudo que ele jamais poderia ser. Mas só o que eu queria era transformar aquele orgulho em decepção, como eventualmente faria, porque não queria toda aquela responsabilidade, e quando cheguei à adolescência não tinha mais nenhum interesse nas tolices do tio Igor. O próprio colaborou com o nosso distanciamento quando afundou na bebida e perdeu sua fortuna (um sujeito bem estranho se mudou para o apartamento da frente da casa dos meus pais nessa época, e agora sei que ele me vigiava, substituindo tio Igor), virando a ovelha negra da família por algum tempo, até que eu acabei herdando esse título quando topei com uma gata chamada Heroína, que quase me matou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de agora a minha história avança mais rápido. Não porque se passa em um intervalo pequeno de tempo, mas porque eu estava tão doidão na época que mal notava coisas pequenas que aconteciam ao meu redor, como a decadência da raça humana e a passagem do tempo. Mas se existe algo que posso dizer em minha defesa é que os pesadelos que marcaram minha infância só aumentariam de intensidade com o tempo, a ponto de eu sofrer de insônia e estranhas visões diurnas, que assim como os sonhos tinham uma temática selvagem, variando de perseguições na floresta a sangrentas lutas animalescas. Até aí eu tive o apoio dos meus pais, mas isso só durou até eu começar a vender objetos da casa para poder comprar analgésicos mais fortes ou drogas, e nem preciso dizer que fui expulso de casa quando recorri à heroína...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que na verdade não fez a coisa melhorar, só intensificou a experiência. Os sonhos adquiriram uma qualidade interativa e eu me sentia mais perto de descobrir do que tudo isso se tratava, sendo que ao mesmo tempo sabia estar exposto e correndo perigo. Mas o vício falou mais alto e as doses se tornaram tão frequentes a ponto das idéias mais idiotas parecerem sacadas geniais, entre as quais se destacam fazer amizade com um negão traficante com o dobro do meu tamanho, passar a responder apenas pelo apelido maneiro “Nick”, comprar uma motoca acabada e um apartamentinho fuleiro no Centro (outro cara esquisito passou a cuidar de mim quando me mudei, dessa vez morando no apartamento ao lado), e por fim virar sócio do mesmo negão traficante e abrir um bar com o discreto nome “O Uivo” na Lima e Silva. Mas a mudança que trouxe mais consequências foi quando me juntei ao Greenpeace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha 17 anos na época e vivia drogado com exceção das noites em que trabalhava no bar. Em uma dessas ocasiões notei um grupo discutindo política, mas o que mais chamou minha atenção foi uma francesa gostosinha mais velha do que eu chamada Julie, que não tirava os olhos de mim. Acabei me juntando a eles no final do expediente e descobri que estavam na cidade para protestar contra a abertura de uma subsidiária de uma empresa (“maligna” segundo suas palavras) chamada Pentex, nome que não significava nada para mim até aquele momento. Toda aquela conversa de poluição do mar, desmatamento e lixo tóxico mexeu comigo e na época eu não sabia por que, mas Julie era toda a motivação que eu precisava para viajar mundo afora, e foi o que fizemos quando nosso protesto não deu em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei o bar sob os cuidados do meu pequeno sócio e peguei um avião para o exterior junto com Julie e seus colegas. Viajamos a muitos lugares, protestando pacificamente contra tudo o que se pode imaginar, mas isso tudo passou por mim como um borrão. Passávamos a maior do tempo no barco de Ahmed, um argeliano barbudo que coordenava nossas operações – e supostamente pegava a Julie antes de mim –, mas do que eu mais me lembro são das noites que passei com ela pelas costas de seu “namorado” (nessas ocasiões ela dizia que eu era “irresistivelmente estragado”). Outra coisa que chamava a minha atenção era que eu podia jurar que o meu vizinho viajava conosco, ainda que ninguém mais o enxergasse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito até eu adquirir uma posição de prestígio no grupo, e movido basicamente por drogas convenci a todos que deveríamos ser mais agressivos, então passamos a empunhar armas. Ahmed não concordou e foi embora. Julie ficou comigo, ainda que estivesse indecisa. A verdade é que quanto mais eu afundava na heroína mais me sentia perto de uma resposta para os meus sonhos, chegando ao ponto de acreditar que tinha conseguido captar uma mensagem sobre o fim do mundo durante um pico, e daí surgiu a vontade incontrolável de ser mais firme contra as ameaças ao meio-ambiente. Sei que parece loucura, mas eu já estava no ponto de confundir sonho com realidade, enxergando monstros no lugar de marinheiros de navios baleeiros e empregados de companhias petrolíferas poluidoras. E o tempo mostrou que eu não estava muito longe da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira mudança ocorreu em algum país da América Central do qual eu nunca tinha ouvido falar e agora nem lembro mais do nome. Estávamos acampados do lado de fora de uma fábrica de produtos químicos isolada da humanidade, e a princípio ela não parecia fazer muito mal a ninguém, mas eu sentia algo de ruim nela. Na verdade, eu tinha desenvolvido uma habilidade quase sobrenatural para descobrir esse tipo de coisa, uma sensação que era intensificada pela heroína. A aura que emanava da fábrica era tão opressiva que eu me fechei dentro da minha barraca e afundei na heroína como nunca tinha afundado antes. Outra sensação que vinha cada vez mais à tona era a de perigo iminente. E como nós precisávamos nos manter a um passo à frente das autoridades naquela época, ninguém estava de olho em mim no momento, me tornando presa fácil para uma armadilha da Wyrm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi quando eu estava mais destruído física e espiritualmente por causa da heroína que pude entender a mensagem dos sonhos com mais clareza, a ponto de enxergar os vultos de uma batalha épica envolvendo estranhas criaturas, da qual um enorme lobo prateado saíra vencedor. De repente o cenário mudou e tudo ficou mais escuro, parecendo perder o foco. Ainda era o mesmo lugar, mas uma espécie de película me separava do lobo, que agora se erguia em pé com um semblante fantasmagórico. Ele olhou para mim e disse em outra língua que sabia um segredo que poderia deter o Apocalipse se alguém fosse até ele no mundo espiritual. Então despertei com o barulho do tiroteio. A Wyrm viera atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não tinha voltado completamente a mim quando pus os pés para fora e por isso saí tropeçando em meio a um cenário de guerra. Seguranças portando metralhadoras tinham vindo de jipe das cercanias da fábrica e abriam fogo contra meus colegas, que estavam inferiorizados com simples revólveres, e logo dois foram alvejados. Naquela hora eu estava fora de mim, envolvido em minha própria batalha apocalíptica, por isso ignorei os riscos e puxei meu revólver. Não demorei a ser abatido, mas não antes de acertar um tiro perfeito na cabeça de um dos seguranças, causando uma reação que me assombra até hoje: o guarda que deveria estar morto se transformou em um monstro e partiu para cima de mim. Então ficou tudo vermelho e eu apaguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semanas seguintes foram de muito descanso misturado com lapsos de consciência onde eu me via em um ambiente familiar. Sempre que dormia uma voz conhecida tentava me trazer de volta à vida apelando para o apelido Nikolai, até que um dia finalmente acordei e dei de cara com o rosto lacrimejante do tio Igor, reconhecendo o lugar como sua velha fazenda. Não conversamos muito no começo, afinal, eu estava na pior fase da abstinência e só não escapei porque ele me dopava com uma merda natural de aparência horrível e gosto ainda pior, mas com o tempo ele me permitiu sair da cama na qual me mantinha amarrado e fazer passeios no quintal da casa. Até que um dia recuperei integralmente minha liberdade de volta e o velho começou a me contar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo ele me explicou o que tinha acontecido no confronto com os seguranças-monstro, dizendo que eles eram algo chamado Dançarinos da Espiral Negra, lobisomens que tinham se corrompido e me perseguiam há muito tempo por eu pertencer a uma tribo dessas coisas chamada Presas de Prata, a mais nobre das treze tribos restantes e que tem cada vez menos membros. Segundo ele, os tais bandidões se aproveitaram do meu vício para me atrair até eles, mexendo na minha cabeça para tirarem os protetores da tribo do meu rastro. O velho disse que tomou conta de mim até a bebida o arruinar, mas depois outros assumiram seu lugar, o que explica de uma vez por todas meus vizinhos esquisitos e a sensação de ser vigiado. Sobre o confronto em si, ele explicou que eu entrei no que chamam de frenesi e matei um dos monstros antes de outro lobisomem da minha tribo aparecer para me salvar, e só pude ser contido depois que fui trazido até aqui. Julie e mais alguns companheiros meus conseguiram escapar. Decidi encerrar o dia depois que o velho me contou sobre a Maldição e a eterna batalha entre os Garou e a Wyrm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou muitas semanas até o velho contar tudo o que sabia sobre os lobisomens e a minha tribo, explicando que não era como eu, mas um parente que por algum motivo não sofreu a primeira mudança, ainda que fosse imune ao Delírio por causa disso. Outra novidade para mim é que eu descendia de Garous russos, o que explicava o meu sobrenome e o apelido Nikolai (“Volk” significava “lobo” em russo e o Volkmann surgiu da miscigenação com outros povos da Europa). Meu tio só não sabia dizer por que a Wyrm se interessava tanto por mim, que muitos Garous morreram para me proteger, então eu aproveitei a deixa para falar sobre a profecia do meu sonho. Por Gaia, como esse velho demorou a responder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda se passou um mês até eu me recuperar de todos os ferimentos e estar suficientemente seguro para retomar a vida em Porto Alegre, e só no dia marcado para a minha volta recebi uma resposta: o velho tinha chegado à conclusão que eu deveria ir até o Caern no Parque da Redenção atrás de respostas, dizendo que os anciões saberiam o que fazer, afinal, o sonho poderia ser mais do que uma mera armação da Wyrm. De fato, poderia muito bem ser a verdadeira razão do interesse dos Dançarinos em mim. Nesse meio tempo ele iria viajar a Europa e aos Estados Unidos com o mesmo objetivo. Por fim ele acabou me levando de carro e me largou no meu apartamentinho, mas não antes de deixar seu diário comigo para ajudar a tirar qualquer dúvida, e é nele que eu escrevo agora caso me encontrem morto em um beco e queiram saber o que aconteceu comigo. Pena que nenhum civil jamais o compreenderá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim eu voltei para casa com uma nova esperança para mim e todo o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-1938575578509180426?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/1938575578509180426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=1938575578509180426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/1938575578509180426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/1938575578509180426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2010/10/lobisomem-nick.html' title='Lobisomem Nick'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-7413341088529450274</id><published>2008-02-03T22:38:00.002-02:00</published><updated>2010-10-27T20:51:37.902-02:00</updated><title type='text'>Albaria: Primeiro PC</title><content type='html'>Abaixo segue o primeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;background&lt;/span&gt;, ou origem, que eu escrevi para o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Albaria&lt;/span&gt;. Foi por volta de 2005 e saiu um pouco grande. É sobre um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;halfling &lt;/span&gt;chamado &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mor&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mor certamente era uma figura. Na infância, costumava viajar por todos as aldeias e cidades próximas de seu lar, o vilarejo hobbit, pois seus pais, mercadores de produtos típicos de sua raça, como arcos pequenos e brinquedos simples e divertidos, faziam negócios de Cronisia a Naer’thi. Naquela época, o pequeno Mor passou a admirar os nobres e altivos guardas de Cronisia, sonhando em ser como eles quando crescesse, mas seu interesse por esse tipo de vida talvez tenha sido influência de seu velho pai, uma vez que ele fora capitão do único exército que já existiu em Habut. Ainda assim, tudo correu bem durante a maior parte de sua infância, porém, quando estava na porta da adolescência e começou a perguntar à sua amada mãe, uma bondosa e insatisfeita mulher de família, porque nunca ficaria do tamanho dos reluzentes soldados que tanto admirava, ela não sabia o que responder, apenas dizendo que Mor era grande o suficiente para um hobbit. Entretanto, esta resposta o satisfez até a vida adulta, quando, após uma juventude feliz e comum, ele enfim alistou-se à guarda de Habut, embora soubesse que aquilo não era nada perto da guarda de Cronisia, acostumada a repelir os orcs do Vale dos Intrépidos de volta para Dar’Arlicha. Anos depois, ao completar 23, Mor conheceu aquela que seria sua esposa, uma hobbit chamada Marta, e ela dizia vir de um lugar distante, onde os outros de sua raça eram apenas fanfarrões e desocupados; e aquilo soou estranho nos ouvidos do impetuoso e energético Mor, pois sua personalidade forte o tornara cético e desconfiado. De qualquer forma, enquanto se encantava cada vez com os mistérios de Marta, treinava sozinho na sede da guarda da cidade, já que os outros soldados preferiam comer e beber ao invés de aperfeiçoarem-se. Então, dois anos depois e já com o corpo que considerava forte o bastante para galantear a jovem estrangeira, Mor a pediu em casamento, e, para seu alívio e surpresa, ela aceitou, mas não pelo corpo do noivo, e sim por ele ser o único na conservadora cidade a mirá-la nos olhos, embora o orgulhoso Mor achasse ser pelo outro motivo. E o casamento foi ótimo no início, pois os dois completavam um ao outro; Marta era sensível e educada, sempre controlando os excessos do marido temperamental, e Mor, por ser indiscreto e desinibido, ajudou a esposa a sair da concha e fazer mais parte do dia a dia de Habut. Porém, a relação dos dois decaiu muito nos meses seguintes, e praticamente no mesmo momento em que Marta começou a sentir falta de seu antigo lar, Mor passou a freqüentar a sede da guarda cada vez mais, tentando assim diminuir a infelicidade da esposa da única forma que conseguia conceber. Mas não deu certo, e a triste situação chegou ao limite certo dia, quando os gritos de uma ardorosa briga entre eles acordou a cidade inteira: tudo começou porque Mor voltou tarde para casa e encontrou Marta chorando num canto, e ela segurava na mão o único objeto que trouxera de casa, um minúsculo boneco de um hobbit pequeno e fraco. Mor ficou um longo tempo observando aquela cena, e sentia um ódio amargo dominar seu peito, pois a visão do brinquedo o fazia lembrar do quanto ele mesmo era pequeno e fraco, por mais que tentasse ser grande como vira um dia seu pai ser. Entrementes, Marta enfim levantou a cabeça e o viu, mas somente lutou inutilmente para tentar impedi-lo de destruir o boneco. E aquilo foi à gota d’água para ela, que na seqüência acusou-o de nunca estar em casa e de ser um marido incapaz de lhe dar filhos. Ele respondeu com um tapa. “Você é igual a minha mãe!”, gritou Mor, espumando de raiva. “Você não vai me convencer a ser pequeno!”, insistia ele. Enquanto isso, Marta começava a chorar no chão, mas de repente parou; então ficou de pé, e em seguida começou a rir, fazendo Mor recuar aos tropeços. “Olhe para você”, disse ela avançando e empurrando-o para trás. “Você não é pequeno”, continuou Marta num tom agressivo. “Você é minúsculo. Você é menor que o boneco que acaba de destruir. As crianças riem de você e as mulheres o esnobam, pequeno Mor”. Então ele caiu no chão, assustado. “Fique longe de mim, maldita”, bradou. “Cale-se”, zombou Marta. “Você é patético. Saia daqui rastejando como um verme e diga para seus amigos que foi expulso de casa por sua própria esposa, a pobre e indefesa Marta”. E foi assim que Mor saiu de casa, expulso a chutes por uma frágil mulher. Ele acabou passando a noite na rua, como um cão raivoso proibido de dormir dentro do lar. Mas o dia seguinte nasceu belo, parecendo zombar da situação humilhante, e Mor acordou antes de todos, pois viu uma linda carroça dourada subir estrada adentro. A carroça parou logo depois, e uma figura encapuzada, com ares de nobreza, saiu de dentro da condução e pediu para seus lacaios cravarem uma chamativa placa no chão. Em seguida, todos voltaram para dentro da carroça e saíram a toda velocidade, como se ali nunca tivessem estado. Curioso, Mor aproximou-se da placa quando começou a ouvir movimentação dentro das tocas próximas, e então leu depressa: “Chamada geral para os melhores homens de Habut se apresentarem no portão da fortaleza da Sociedade, onde aqueles do reino de Inera com maior disposição serão colocados contra nossas melhores guerreiras, em uma espécie de duelo não-mortal para decidir apenas &lt;/span&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;&lt;u&gt;uma&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; vaga entre nossa valorosa e exigente organização. Os interessados que se apresentem antes do fim da tarde. Assinado por &lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;Atma &amp;amp; Alexandra.&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;”, era a escrita na placa, em caligrafia bonita e trabalhada. Agindo sem pensar, o hobbit arrancou a placa do chão e depois a atirou num lago fora da cidade, perto do Largo das Tempestades. Aquela poderia ser a oportunidade para ele mostrar todo o valor, pensou, e não deixaria os hobbits preguiçosos de Habut tirarem isso dele, nem muito menos sua esposa ingrata. “Sim, eu vou ser o escolhido e depois a Marta vai implorar para voltar para mim”, murmurava Mor baixinho enquanto ria, pois a tal organização tratava-se sem dúvida da Sociedade das Rosas de Fogo, a maior fonte de renda de seus pais. Então, antes mesmo do final da tarde, Mor voltou à cidade e pegou sua espada longa e armadura na sede da guarda, e na seqüência saiu correndo em disparada, chegando na fortaleza em cima da hora. E, à primeira vista, enxergou apenas um pavilhão armado em frente ao portão e um grande grupo de homens ao redor, e dentro da enorme tenda havia um pequeno ringue cavado no chão, onde um dos desafiantes olhava ansioso para duas figuras de capuz sentadas em cadeiras luxuosas. A noite acabou chegando rápido, pois nenhum dos homens, nem mesmo os mais fortes, duravam mais do que alguns segundos contra as guerreiras, que se revezavam na arena, e Mor apenas os observava cair, apesar de ser alvo de riso da maioria dos lutadores. Entretanto, quando chegou sua vez, após todos os desafiantes serem rechaçados e ficarem gemendo de dor num canto, ele se adiantou das visivelmente decepcionadas guerreiras e disse seu nome, mas adicionou “O Gigante” no final, e ainda por cima recusou-se a descer no fosso. “Eu não vou descer aí para ser avaliado com um cão”, disse sorrindo, e as duas olharam-se incrédulas com a ousadia do pequeno hobbit. “Venham até mim, se quiserem testar-me, mas venham as duas”, desafiou o corajoso Mor, porém, as duas caíram na risada. “Pois bem, como quiser, pequeno mestre”, concordou uma delas, ficando séria de repente. Então as duas, exibindo grande habilidade, deram um grande salto por cima da arena e cada uma caiu de um lado de Mor, flanqueando-o como lobos famintos. “Apenas me diga uma coisa, pequenino”, disse a outra, “Tem certeza que consegue segurar uma espada tão grande?”, provocou ela, deixando o hobbit furioso, mas ele manteve a calma e sorriu sarcasticamente. “Eu lhe respondo, senhora”, disse Mor num tom provocador, “Mas apenas se me disser porque esconde o rosto...”, desafiou ele, e subitamente elas pararam de avançar. “Seria para esconder uma face medonha demais para ser exposta?”, perguntou Mor maldosamente, mas na seqüência desejou não o ter feito, pois as duas ficaram furiosas e avançaram sobre ele, revelando cada uma duas espadas curtas debaixo dos compridos mantos; o hobbit mal conseguiu defender-se, acabando com dois arranhões profundos no tronco. Em seguida, tentou atacar com sua espada longa, mas errou feio e acabou pagando pela arrogância de não usar um escudo. Felizmente, as duas haviam recebido ordens para não matar, e somente derrubaram-no no chão com golpes limpos. “Fique no chão que é o seu lugar, cão”, disseram as duas ao mesmo tempo, e depois o atiraram dentro do fosso e saíram rindo. “Eu disse para Atma que não havia motivo para um teste deste tipo, porque não há sequer um homem de verdade por estas bandas”. Porém, um rosnado alto interrompeu a conversa das duas, e as temidas guerreiras olharam para trás, como se temessem a presença de worgs ou algo do tipo, mas viram apenas um pequeno vulto saltar de dentro do túnel e passar correndo por entre elas. E elas até tentaram atacar a sombra viva que as atacou, mas a criatura era rápida para ser atingida, e seus uivos selvagens tirariam a concentração do mais bravo paladino. Por fim, passado um tempo deveras humilhante para ambas as moças, foi o audacioso ser que acabou prevalecendo, pois acabou derrubando as duas depois de muitos golpes poderosos e velozes de espada, somente para no final revelar ser ninguém menos que Mor, o Gigante, espumando de raiva num ataque suicida. “Veja só”, disse uma delas após levantar e rechaçá-lo com facilidade no final do surto, “Parece que eu estava enganada”, concluiu. “Vamos, pequeno mestre, siga-nos e aproveite da bondade de nossas senhoras”, disse a outra, “Você acaba de tirar a sorte grande”. “É”, disse Mor num tom estranho enquanto ultrapassava o portão e vislumbrava a bela fortaleza, “Parece que sim”, resmungou.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-7413341088529450274?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/7413341088529450274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=7413341088529450274&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7413341088529450274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/7413341088529450274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2008/02/albaria-primeiro-pc.html' title='Albaria: Primeiro PC'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-968273491013503507</id><published>2007-08-04T16:53:00.001-03:00</published><updated>2010-10-27T20:36:20.873-02:00</updated><title type='text'>A Ruína</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Décadas após a magia ser largamente disseminada pelo Mundo, a exploração de ruínas antigas e a busca insensata por conhecimento arcano tornaram-se as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;atividades&lt;/span&gt; mais comuns de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Ophir&lt;/span&gt;, assim como a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;coleta&lt;/span&gt; de todo e qualquer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;artefato&lt;/span&gt; que pudesse conter tal poder ou no mínimo explicar como ele surgiu. Desconfiados, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;gnomos&lt;/span&gt; diziam ter simplesmente inventado essa arte, mas essa desculpa certamente só enganava aqueles desprovidos de intelecto. De qualquer forma, o mistério somente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;ativava&lt;/span&gt; a curiosidade dos mais sagazes, e logo todo tipo de indivíduo e organização estava montando expedições para os quatro cantos do Mundo. Do lado dos humanos, tanto os clérigos, assustados com este novo poderio e inicialmente furiosos com a afronta cometida contra seus Deuses, quanto os guerreiros, interessados em ver se a magia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;arcana&lt;/span&gt; poderia ajudá-los em combate, queriam tirar proveito da situação; quanto aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;elfos&lt;/span&gt;, muitos andarilhos errantes foram atrás de respostas, na tentativa de montar o quebra-cabeça que é a sua própria existência. Este período ficou conhecido como as Cruzadas, momento em que muitos perderam as vidas devido a confrontos e desconfiança, pois as atenções recaiam principalmente sobre os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;gnomos&lt;/span&gt;, na época em conflito com os Homens do Norte e também com os Anões das Montanhas. De fato a magia foi um dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;estopins&lt;/span&gt; do confronto entre aqueles três povos – evento que ficou conhecido como as Guerras Nórdicas –, uma vez que assustados com as perguntas os professores da magia optaram por encerrar seus ensinos temporariamente; esta atitude, juntamente com a guerra que estava em andamento na região, afastou os exploradores estrangeiros, conduzindo-os para outras &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;direções&lt;/span&gt;. É a partir deste ponto que os historiadores consideram iniciado o período das Cruzadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/Rry-4uwrRRI/AAAAAAAAALw/7A3wxZKxkvM/s1600-h/cavaleiro+nas+cruzadas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 253px; height: 359px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/Rry-4uwrRRI/AAAAAAAAALw/7A3wxZKxkvM/s400/cavaleiro+nas+cruzadas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097158760110703890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O período não durou mais de 30 anos, mas suas repercussões foram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;seriíssimas&lt;/span&gt;, uma vez que os governantes de quase toda cidade ou vila estavam mais interessados em lucrar com a nova descoberta do que em cuidar de seus povos. Além disso, havia também o desejo de encontrar respostas, e que tudo aquilo podia ser um sinal dos Deuses. Muitos regentes assumiram o trono enquanto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;reis&lt;/span&gt; perambulavam por toda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Ophir&lt;/span&gt; junto de seus exércitos, Cavaleiros honrados sumiam de suas cavalarias e seguiam estranhas rotas, atingindo muitas vezes fins terríveis ou simplesmente desaparecendo em terrenos sombrios... havia muito dispersão, cada um seguindo o caminho que desejava, embora constantemente se encontrassem em viagem e relatassem suas aventuras. Durante as Cruzadas o verde virou barro e lama, pois agricultores e gente humilde em geral saiam em busca de terras melhores ou governantes mais justos; não era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;incomum&lt;/span&gt; encontrar carroças viradas e pilhas de ossos em trilhas longínquas. Mas o mais terrível eram as sinistras criaturas que, despertas de seus lares por ambiciosos aventureiros, vagavam na escuridão da noite, vitimando as mais diversas presas. Fome e morte foram a face dos primeiros anos das Cruzadas, mas uma década depois o mais assustador era o desconhecido; que fim teriam sofrido uma dúzia de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;reis&lt;/span&gt; e uma centena de Cavaleiros que simplesmente desapareceram? Muitos relatos conflituosos foram ouvidos, alguns sobre florestas amaldiçoadas e outros sobre fatos sem dúvida fictícios, como pássaros de fogo e serpentes com sete cabeças. A única esperança vinha na forma de estranhos guerreiros com armaduras brilhantes e poderes nunca antes visto, os chamados Paladinos: com um código de ética impecável, estes enviados dos Deuses pregavam o bem de uma maneira incansável, e foram principais responsáveis pela maneira pacífica que tudo acabou, anos depois. Muitos deles nunca disseram uma palavra ou tiraram o elmo, e eram indivíduos sem origem alguma e quando terminavam suas missões nunca mais eram vistos, mas a maioria eram pessoas comuns que certo dia ouviram o Chamado e devotaram suas vidas a fazer o bem. Entretanto, mesmo com o visível fracasso das explorações, jovens aprendizes de mago continuavam em busca de conhecimento, suas motivações ainda intactas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/Rry_QOwrRSI/AAAAAAAAAL4/BYCEUwnF470/s1600-h/conselho+dos+magos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 281px; height: 282px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/Rry_QOwrRSI/AAAAAAAAAL4/BYCEUwnF470/s400/conselho+dos+magos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097159163837629730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De qualquer maneira, se quisessem encontrar algo deveriam se unir, e após realizarem uma inédita reunião decidiriam criar o Conselho dos Magos, grupo voltado para angariar fundos com o fim de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;bancar&lt;/span&gt; explorações mais audaciosas; e mesmo com as Cruzadas certamente no fim, levando em conta que não havia mais terreno para explorar, o Conselho deveria descobrir uma forma de improvisar. Certo dia, não muito depois da reunião, um dos membros teve uma estranha visão na qual encontrava um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;objeto&lt;/span&gt; valiosíssimo no fundo mar, então cerca de um mês depois o grupo conseguiu juntar a verba necessária para a construção de um grande navio, e nele colocaram diversos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;aparatos&lt;/span&gt; místicos e coisas de mago, na tentativa de facilitar a busca por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;artefatos&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;arcanos&lt;/span&gt;. Surpreendentemente, logo na primeira zarpada uma espécie de radar que haviam instalado na embarcação identificou um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;objeto&lt;/span&gt; mágico perdido no Grande Mar de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Ophir&lt;/span&gt;, mas estava muito longe da costa e os marinheiros tinham receio de ir tão longe. Porém, após serem devidamente ressarcidos, concordaram em levá-los até o ponto indicado no radar, e a viagem foi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;tranqüila&lt;/span&gt;, embora eles não parecessem se aproximar do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;objeto&lt;/span&gt;. No fim do dia o radar não indicava mais nada, e os próprios magos já achavam melhor retornar, mas infelizmente não foi possível: uma enorme fera marinha surgiu do fundo mais negro do mar e enrolou seus tentáculos em volta do navio, puxando ele para baixo e matando a maioria dos tripulantes. A criatura perseguia os sobreviventes sem piedade enquanto eles tentavam fugir numa espécie de bote que haviam conjurado, mas logo seriam alcançados. Porém, na distância conseguiram divisar uma caravela negra que se aproximava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;velozmente&lt;/span&gt;, e ficaram muito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;surpresos&lt;/span&gt; quando a fera voltou ao fundo do mar com apenas um comando de um dos tripulantes, um estranho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;elfo&lt;/span&gt; de vestes negras. De fato a embarcação era de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Ilimani&lt;/span&gt;, e os jovens magos estavam longe da salvação...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eram nove sobreviventes, todos treinados nos conhecimentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Arcanos&lt;/span&gt;, portanto não reagiram, curiosos para saber aonde seriam levados. Em um calabouço escuro dentro da caravela o grupo ficou por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;exatos&lt;/span&gt; 60 dias, período pelo qual passaram por interrogatórios e torturas, mas também por um perturbador estilo de ensino, no qual eram obrigados a ouvir sermões sobre o assassinato de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Harcon&lt;/span&gt; pelas mãos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Beuvar&lt;/span&gt; enquanto eram surrados. Passados os 60 dias, foram levados para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Ilimani&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;trancafiados&lt;/span&gt; numa torre maligna repleta de livros de magia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;avançadíssima&lt;/span&gt;, relíquias que provavelmente os próprios &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;gnomos&lt;/span&gt; desconheciam, que falavam sobre coisas que gnomo algum ensinaria. Fora isso, havia vários livros de história relatando a ganância de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Beuvar&lt;/span&gt; e o martírio de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Harcon&lt;/span&gt;, assim como as origens locais da magia, material que provavelmente fora muito usado para doutrinar gerações de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;elfos&lt;/span&gt; e do que mais vivesse naquela região maldita. Feridos e sob pressão, o grupo afundou naquele material, uma vez que o acesso ao poder descrito nos livros de magia avançada só seria possível se também lessem os livros de história, e se pretendiam escapar algum dia teriam de ler os livros de qualquer maneira. Muitos anos se passaram e os aprendizes de mago eram lentamente corrompidos, pois a cada página dos livros de história eles evoluíam mais na magia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;arcana&lt;/span&gt; deturpada de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Ilimani&lt;/span&gt;. Tudo o que estava escrito em ambos os livros convergia para somente um rumo; a busca pelo poder absoluto acima de qualquer outra ambição. Mas para isso, os discípulos precisavam de motivação, e ela estava nos trechos dos livros repletos de ódio que relatavam o fim trágico e injusto de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Harcon&lt;/span&gt;. Desprovidos da liberdade e destruídos psicologicamente, os Nove foram vítimas fáceis da doutrinação e antes mesmo de perceberem isso já estavam corrompidos. Desejando atingir poder suficiente para desafiar e eliminar o Panteão na tentativa de vingar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Harcon&lt;/span&gt; e dar poder ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Demônio&lt;/span&gt;, a quem agora serviam, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;recém&lt;/span&gt; formada seita prestou homenagem a Morte e encerrou seu ensinamento realizando um ritual profano no qual desistiram da carne, alcançando a vida eterna. Seus corpos outrora fracos e franzinos tornaram-se ossos e lhes deram envergadura, suas mentes dúbias ganharam precisão e sabedoria. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Indestrutíveis&lt;/span&gt; e impenetráveis, eles viraram os Arautos do Caos. O preço? Suas almas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-style: italic;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTeB-wrQzI/AAAAAAAAAEE/27fH0xDrPtI/s1600-h/os+nove.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 277px; height: 396px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTeB-wrQzI/AAAAAAAAAEE/27fH0xDrPtI/s400/os+nove.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094941204071269170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Destruir a prisão foi fácil, mas o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Demônio&lt;/span&gt; ficou realmente satisfeito quando os viu, passo a passo destruindo tudo o que viam pela frente, nove esqueletos ambulantes causando pânico no que antigamente era aterrorizante. Seres de poder incomensurável escondiam-se debaixo da terra, clérigos caídos trancavam-se em seus templos, magos negros faziam o mesmo em suas torres... o plano do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Demônio&lt;/span&gt; dera certo: seus novos seguidores eram sem dúvida alguma a criação mais horrenda de todo o Mundo. O período que muitos anos depois foi chamado de a Fecundação do Mal durou nove anos. A terra de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Ilimani&lt;/span&gt; estava devastada pela peste e pelo fogo, e os Nove sentavam em seus tronos de ossos, negros como o Nada, vazio como seu interior. No fim daquele ano o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Demônio&lt;/span&gt; lhes fez uma visita na forma de uma besta de nove cabeças e oitenta metros de altura, e seus altivos cavaleiros negros curvaram-se, ansiosos por orientação. Mas não houve diálogo, uma vez que nada havia para ser dito, tudo estava tão claro quanto o céu outrora fora em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;Ophir&lt;/span&gt;. Em compensação, todos foram devidamente recompensados: nove enormes capas negras e espadas bestiais, feitas de ossos, foram distribuídas, e um templo maligno foi erguido diante deles, onde fiéis poderiam adorá-los para lhes fortalecer durante a batalha definitiva. Com um mero pensamento o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;Demônio&lt;/span&gt; ressuscitou trinta cadáveres e os colocou a rezar, escolhendo o mais forte deles como Sacerdote. Agradecidos, os Nove fizeram uma prece em nome do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;Demônio&lt;/span&gt; e seu Senhor lhes deu novos nomes, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;intraduzíveis&lt;/span&gt; em qualquer língua terrestre. Encerrado o encontro, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Demônio&lt;/span&gt; desapareceu, deixando nove gigantescos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;hipogrifos&lt;/span&gt; negros em seu lugar. O recado era claro: hora de atacar. Obedecendo ao comando de seus donos, as bestas foram até eles, famintas por carne fresca, e naquela mesma noite os Nove alçavam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;vôo&lt;/span&gt;. Enfim chegaria o momento da Vingança de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Harcon&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O palco estava montado. Decadente devido as Cruzadas, a Terra de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;Ophir&lt;/span&gt; certamente não faria frente a tal ameaça, e isso começou a se tornar bastante claro logo quando os Nove deram o primeiro passo na costa do mar, varrendo qualquer ser vivo que aparecia na frente. Os guerreiros Paladinos tentaram oferecer resistência, defendendo seus templos ou cidades com a própria vida, mas sozinhos nada fariam, afinal cada um defendia uma causa diferente. Caindo um a um juntamente com seus templos, os heróis demoraram a se unir, e quando o fizeram já era tarde demais: todos foram mortos. Uma vez que o alvo principal eram os templos, sem os quais o Panteão enfraqueceria, a primeira etapa do plano estava concretizada. A segunda tarefa seria a eliminação de toda a vida em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;Ophir&lt;/span&gt;, e se os próprios Deuses não decidissem interferir, eles também obteriam sucesso naquela ambição, pois não havia capacidade de resistência naquelas condições; os poucos heróis que restavam eram errantes ou estavam desaparecidos. Mas os Senhores de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Ophir&lt;/span&gt; logicamente optaram por ajudar seus povos, pois sem habitantes não haveria Terra para cuidar e nem equilíbrio para manter, infelizmente Deuses demoram muito a raciocinar e milhares já haviam perecido antes de eles chegarem a uma conclusão tão óbvia. De qualquer forma, devido a uma arrogância pura os Nove não esperavam uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;reação&lt;/span&gt; tão cedo, mas como o Panteão estava debilitado, nada que os Senhores pudessem fazer suplantaria o poder do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Demônio&lt;/span&gt;, que controlava suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;marionetes&lt;/span&gt; de seu reino obscuro. E de fato era verdade, mas mesmo desprovidos de grande parte de seus poderes, os Senhores ainda poderiam fazer algo, embora não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;diretamente&lt;/span&gt;; assim sendo, por três dias e três noites procuraram em todo o Mundo por alguém digno e capaz de se tornar Arauto do Panteão, e na figura quase cadavérica do antigo rei de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;Beuvar&lt;/span&gt; encontraram seu homem. O nome dele era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-style: italic;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTeqewrQ0I/AAAAAAAAAEM/iPdmvY9WxFI/s1600-h/achlon+desperto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTeqewrQ0I/AAAAAAAAAEM/iPdmvY9WxFI/s400/achlon+desperto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094941899855971138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Rei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;Achlon&lt;/span&gt; Jeremias II fora um grande governante e bom homem, mas se perdera durante as Cruzadas quando cruzara com um estranho ser, adormecendo inábil dentro de uma tumba maligna. Suas tropas de elite, os Templários, passaram anos à procura dele, mas no momento estavam de prontidão em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;Beuvar&lt;/span&gt;, esperando um ataque maciço dos Nove, que dia após dia se aproximavam mais. Os Templários de fato eram hábeis, uma vez que se tratavam dos melhores guerreiros e clérigos de toda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;Ophir&lt;/span&gt;, mas não eram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;páreos&lt;/span&gt; para o poder incomensurável dos Arautos do Caos. Porém, seu líder despertou após ouvir um chamado distante dos Senhores e, enquanto dava seus primeiros suspiros de vida após uma longa escuridão, era abençoado com uma parcela dos Poderes de cada entidade do divino Panteão; com o poder de um Relâmpago, a impetuosidade de um Redemoinho, o controle da Matéria, o ditame sobre a Criação, a força da Natureza e o domínio do Clima, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II ergueu-se altivo novamente. Conjurando uma montaria mágica nunca antes vista, alçou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;vôo&lt;/span&gt; rumo sua cidade, onde em apenas alguns minutos estaria comandando a resistência definitiva contra as forças do Mal. Lá encontrou suas tropas e mesmo sem ter certeza absolutamente de quem era seu mais novo capitão, os Templários o seguiram cegamente ao campo de batalha, onde esperariam sem medo algum a chegada dos Nove. Seria sem dúvida nenhuma uma batalha épica...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E certamente foi. Com um sopro feroz o rei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II derrubou os Nove de seus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;hipogrifos&lt;/span&gt; carniceiros, mas em uníssono os Arautos do Caos reagiram, e com um feitiço &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;desconvocatório&lt;/span&gt; sumiram com a montaria de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II. A princípio era apenas uma disputa de poderes, com feitiços variados de ambos os lados do confronto, embora nenhum causasse muitos danos ao adversário. Em pouco tempo tornou-se evidente que a batalha seria decidida no combate &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_78"&gt;direto&lt;/span&gt;, e os Templários vibraram quando viram os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_79"&gt;Noves&lt;/span&gt; abandonar os céus e se aproximar de maneira limpa, mas o antigo senhor apenas observou. Porém, no instante em que o conflito se acirrava, iniciou uma prece que mudou o rumo do Mundo, atingindo seus guerreiros de maneira indescritível. Eram simples palavras de fé, mas por algum motivo os Cavaleiros de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_80"&gt;Achlon&lt;/span&gt; tiraram forças de um poder nunca antes visto. Emocionados, os Templários derrubavam os Cavaleiros do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_81"&gt;Demônio&lt;/span&gt; um a um, sem explicação alguma, reduzindo-os ao que eram antes, simples aprendizes de mago. Oito já haviam perecido, mas quando faltava apenas um, algo ainda mais inexplicável ocorreu: o último Arauto tragou os corpos inconscientes dos feiticeiros caídos, unindo suas essências a dele. Então ele se ergueu, gigantesco, o Titã do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_82"&gt;Demônio&lt;/span&gt;, uma criatura de 150 metros e forma indefinível, ora humana, ora celestial. Percebendo que era algo fora da alçada deles, os Templários largaram suas armas e iniciaram uma prece, então foi a vez de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_83"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II revelar sua verdadeira face, emergindo na figura igualmente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_84"&gt;titânica&lt;/span&gt; de um vingador alado, ou somente um brilho uniforme segundo as pessoas que presenciaram a cena. O que aconteceu depois é inenarrável, mas o que pode ser dito é que horas depois os corpos sem vida dos membros do Conselho dos Magos foram encontrados, e ao lado deles jazia a antiga armadura do rei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_85"&gt;Achlon&lt;/span&gt; Jeremias II.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-style: italic;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTfduwrQ1I/AAAAAAAAAEU/I-DTy5EBSMM/s1600-h/tit%C3%A3+do+dem%C3%B4nio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/RrTfduwrQ1I/AAAAAAAAAEU/I-DTy5EBSMM/s400/tit%C3%A3+do+dem%C3%B4nio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094942780324266834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do ponto de vista divino o que pode ser relatado é complexo, embora não incompreensível: o rei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_86"&gt;Achlon&lt;/span&gt; II voltou a adormecer após derrotar os Nove, encontrando junto de seus antepassados um leito confortável, e na companhia poderosa deles nunca mais sentiu vergonha. Seu corpo, porém, era grandioso demais para este Plano e nunca foi encontrado pelos Templários. Quanto aos Arautos do Caos, o Nada reclamou suas almas e todos aqueles ligados a eles, inclusive familiares e até mesmo conhecidos, tiveram suas existências eliminadas deste plano e juntamente deles perderam o direito de Ser. Agora voltando ao plano terreno, o fim da guerra também significou o término do período das Cruzadas, uma vez que ficara devidamente claro o que aconteceria com quem fosse longe demais nos conhecimentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_87"&gt;arcanos&lt;/span&gt;. A partir daquele dia muitos passaram a se referir a magia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_88"&gt;arcana&lt;/span&gt; simplesmente como a Ruína, assim como o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_89"&gt;fenômeno&lt;/span&gt; que ocorre ao desobedecer o equilíbrio natural das coisas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-968273491013503507?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/968273491013503507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=968273491013503507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/968273491013503507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/968273491013503507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2007/08/runa.html' title='A Ruína'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_o4OPeCgP8uw/Rry-4uwrRRI/AAAAAAAAALw/7A3wxZKxkvM/s72-c/cavaleiro+nas+cruzadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1232921238872503798.post-555960098425872808</id><published>2007-07-26T22:48:00.001-03:00</published><updated>2010-10-27T20:36:09.721-02:00</updated><title type='text'>Sonhos aventurescos...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma noite dessas eu tive um sonho estranho. Começou com uma batalha aérea, onde bizarras máquinas de guerra sobrevoavam um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;platô&lt;/span&gt;, escondido entre um desfiladeiro rochoso e ladeado por um grande lago, que por sua vez era interrompido pela encosta de um vulcão na outra extremidade da margem. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;maquinários&lt;/span&gt; surgiam do meio desse lago e flutuavam na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;direção&lt;/span&gt; de uma série de cavernas na montanha, onde habitava um povo de feições bárbaras. As naves invasoras eram manuseadas por estranhos seres parecidos com humanos, mas com a pele azulada, guelras e olhos negros sem pálpebras. Não demorei a perceber que se tratava de uma raça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Atlante&lt;/span&gt; ou algo parecido. Aos poucos também notei que os mecanismos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;adotados&lt;/span&gt; por eles tinham uma tecnologia similar a nossos balões e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;zeppelins&lt;/span&gt;, e eram controlados por uma complexa combinação de alavancas. A guerra iniciou quando os invadidos deixaram suas tocas e casebres rústicos e responderam com uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;saravaida&lt;/span&gt; de flechas e pedradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo boa parte das naves murcharam e afundaram no lago, as restantes sofriam para encontrar espaço para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;aterrissar&lt;/span&gt; em meio a horda crescente de bárbaros cabeludos. As que conseguiram, abriam uma comporta traseira que liberava caminho para altivos guerreiros &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;atlantes&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;alabardas&lt;/span&gt; em mãos e bestas presas nas costas. Alguns partiam para o combate corpo-a-corpo, onde demonstravam técnicas de luta muito superiores e jamais vistas na  superfície, enquanto outros procuravam abrigos de onde poderiam disparar suas setas de ferro em segurança. Ainda assim, devido ao maior número de adversários e falta de conhecimento do terreno, a disputa era acirrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;atlantes&lt;/span&gt; possuíam mais cartas na manga, na figura de veículos terrestres em forma de tripé que emergiam d'água, com um tripulante dentro e no comando de poderosos tentáculos de metal, dilacerando tudo no caminho.  Do lago também surgiam plataformas repletas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;lanceiros&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;atlantes&lt;/span&gt; montados em criaturas marinhas, com armas que disparavam um gancho preso a uma corda, assim como diversas outras máquinas hidráulicas terrestres e aéreas, tudo de uma beleza impecável, que enganava os olhos. Não pude ver se eram sólidas ou líquidas, parecia uma harmoniosa união entre uma coisa e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória se aproximava e eu sentia que os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;atlantes&lt;/span&gt; mereciam vencer por algum motivo, então um estrondo interrompeu a guerra e uma fumaça negra cobriu o ar, sufocando o punhado de bárbaros que haviam sobrado, fazendo-os procurar abrigo. Mas os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;atlantes&lt;/span&gt; encaravam o monstro, sem medo. O vulcão rugia, desafiador, exalando um vapor cada vez mais tóxico. Lava fétida escorria na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;direção&lt;/span&gt; do lago, e quando deram por si, os guerreiros do mar estavam cercados, uma vastidão de covardes apareceu do nada no momento em que se viram em vantagem. Lobos selvagens presos a correntes salivavam, assim como seus domadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E após um breve período de hesitação, onde cada um esperava a iniciativa do outro, uma voz melódica e de sabedoria infinita deu uma ordem. Descendo de uma gigantesca fera marinha similar a uma serpente, o rei sugeriu um acordo, que mais parecia uma rendição. Um velho enrugado e de tosse contínua concordou, sorrindo triunfante num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;esgar&lt;/span&gt; doentio. Assim a curta batalha se encerrou. Aparentemente o soberano &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;atlante&lt;/span&gt; entregou sua coroa ao cacique dos homens, em troca, o velho moribundo deixaria os prisioneiros voltarem ao mar para proteger seus lares. Não houve despedida, muito menos lágrimas, apenas um curvar em uníssono que não parecia ensaiado. O filho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;primogênito&lt;/span&gt; do rei aceitou o tridente real e disparou uma corneta em formato de concha. Sem baixar a cabeça, o exército &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;atlante&lt;/span&gt; voltou de onde veio, deixando o patriarca para trás. Os poucos bárbaros que se opuseram foram devorados por monstros marinhos antes de impedir a marcha dos guerreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por centenas de anos o antigo rei da última estirpe de uma nobre raça ajudou os humanos a evoluir, lhes ensinando a escrita e tantos outros dons, e durante &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo esse tempo permaneceu acorrentado. Quando a última horda de exploradores deixou o local, o chefe decidiu soltá-lo, uma vez que ele não tinha mais uso. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Orfão&lt;/span&gt; de seu povo, o rei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;tr&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;ansformado&lt;/span&gt; em escravo permaneceu no desfiladeiro, onde&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; viveu por mais alguns séculos, vendo o mundo mudar por meio de sua visão quase sem limites. Ele viu o mesmo povoado que lhe abandonou conquistar outro povoado e assim por diante, até a criação do império e sua quietude mais selvagem que qualquer vila de bárbaros. Acabou morrendo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;inanição&lt;/span&gt; certo dia, decepcionado, pois apesar de ter oferecido imensa sabedoria aos homens, a arte da guerra foi a única coisa que aprenderam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Assim eu vi desaparecer a raça original daquele mundo, para nunca mais voltar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1232921238872503798-555960098425872808?l=nocalabouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocalabouco.blogspot.com/feeds/555960098425872808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1232921238872503798&amp;postID=555960098425872808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/555960098425872808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1232921238872503798/posts/default/555960098425872808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocalabouco.blogspot.com/2007/07/sonhos-aventurescos.html' title='Sonhos aventurescos...'/><author><name>Brizola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07104337512268936014</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
